A web 2.0 é uma ameaça a cultura?
Pouco tempo atrás o Flávio Medeiros - amigo, redator da NBS e presidente do CCRJ - me mandou por e-mail uma entrevista feita recentemente pela revista Época com o Andrew Keen, um dos pioneiros da internet no ínicio da década de 1990.
Por mais contraditório que possa parecer, o Andrew Keen é um dos maiores críticos do conteúdo gerado pelo consumidor. Na entrevista e em seu mais recente livro “The Cult of the Amateur” ele discursa sobre como esse conteúdo é uma ameaça a cultura e afirma que as pessoas que geram conteúdo na internet são “profissionais frustados e amadores” que não criam nada de valor significativo para a nossa sociedade.
Eu discordo profundamente dele. Não acho que o conteúdo gerado por pessoas comuns seja uma ameaça para a cultura. É claro que existe muita porcaria nesse conteúdo, e seria inocência da minha parte afirmar o contrário, mas acredito também que o acesso as ferramentas de produção e distribuição permitem a sociedade conhecer trabalhos bárbaros de pessoas que não conseguiram (ainda) espaço na mídia convencional. Um exemplo é o remake de uma cena do filme Pulp Fiction feito em tipografia. O autor é um estudante de Belas Artes, que se forma apenas em 2008:
O trabalho desse estudante é, na minha opinião, uma obra de arte e apenas um dos muitos exemplos que recordo que me fazem achar o ponto de vista do Andrew Keen extremista . Na minha opinião, o conteúdo gerado por pessoas comuns não ameaçam a cultura - ameaçam apenas o modelo de negócio da indústria cultural - no momento que eles passam a desafiar seus ícones muitas vezes forçados através da constante aparição na mídia. Na área da música, por exemplo, surgiram bandas como o Arctic Monkeys e o Panic! At the Disco.
O conteúdo gerado por pessoas comuns também pode ser fonte de inspiração para outros artistas e produtores. Não sei se é esse o caso do videoclipe da banda uruguaia El Cuarteto de Nos, mas como ele surgiu depois, é bem possível.
E que esteja aberto o saudável debate sobre esse assunto aqui também!
Published by Luiz Felipe Barros on September 10th, 2007 | Filed under Arts, Longtail, UGCMídia Contextual e Publicidade
A licença para interromper um consumidor está cada dia mais difícil de obter. Tendo sua atenção solicitada ou estimulada por tantos interesses diferentes, o consumidor cada vez mais presta menos atenção ou dá menos crédito à publicidade que interrompe a sua atividade. Esta é uma observacão muito válida no Brasil e ainda mais em mercados mais avançados em termos de tecnologia e de distribuição de renda. Quer dizer, quando entra um comercial, ou a atenção se esvai ou muda-se de canal; ou, como ocorre fora do Brasil, simplesmente elimina-se a possibilidade de haver um comercial. Isso é possível com o uso de tecnologias de gravação, de seleção e de demanda de conteúdo, seja através do uso de dispositivos como o TiVo, seja através de produtos como a Apple TV.
Os marketeiros estão tendo que se virar para imaginar novas formas de conexão e novas técnicas de gerar envolvimento. Uma das coisas que mais me intriga é a mídia contextual, aquela que entende o que o consumidor está fazendo naquele exato momento e lhe entrega, em formato que ele aceita receber, a informação sobre um determinado produto ou serviço. Isso é o que ocorre, por exemplo, com os “links” patrocinados na “web”.
Uma coisa extraordinária é a quantidade de inteligência por trás da possibilidade de gerenciar a visibilidade do “site” do seu negócio na “web”. Em mercados maduros, este é um ramo de consulltoria em franco crescimento. Quer dizer, já há consultorias que são capazes de, compreendendo como funcionam os algoritimos de busca dos principais SEARCH ENGINES da “web” (Google, Yahoo etc.), propor estratégias para aumentar a visibilidade de um determinado “site”. A idéia por trás é que, quando alguém fizer uma busca por um certo assunto correlacionável ao seu negócio, determinados truques, segredos, fórmulas e processos podem fazer com que o seu “site” fique mais ou menos visível, mais ou menos em cima da lista de resultados, quando termina a busca.
Como poucas pessoas vão além da primeira página do resultado de uma busca, vale muito mais dinheiro conseguir aparecer na primeira página. Óbvio. Estamos no momento de começar a entender como lidar com esta nova modalidade de comunicação, a qual já está sendo chamada de SEM (Search Engine Marketing). Parando para pensar, chega a ser diabólico como a matemática, a lógica, o poder de processamento e a velocidade de transmissão estão conseguindo, agindo juntas, produzir resultados de seleção que se parecem cada vez mais com uma busca inteligente e humana. E, com isso, entregar publicidade que o consumidor não apenas aceita receber mas que, na verdade, deseja receber. Neste caso, a informação não representa uma intromissão e nem uma interrupção. Ao contrário, é completamente bem-vinda porque está dentro do contexto, do interesse da pessoa.
Se você quiser saber quem entende de SEM no Brasil, mãos à obra. Faça sua busca na “web” e veja o que descobre…
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Indústria Fonográfica contra A Evolução
É inegável que a evolução tecnológica revolucionou nossos hábitos de consumo musical. Pouco mais de uma década atrás, nós tinhamos poucas opções caso gostássemos de uma única música de um artista: gravar em fita K7, comprar o CD do artista ou dar a sorte de existir um CD single da música (o que particularmente vi pouquíssimas vezes, principalmente no Brasil).
Nos dias de hoje, bastam poucos cliques para termos essa música nos nossos computadores e gravarmos onde quisermos. A indústria fonográfica soma perdas nos últimos anos e acusa o download ilegal de músicas como o grande vilão. Campanhas contra a pirataria, processos contra os softwares e sites que disponibilizam o compartilhamento gratuito de música e até processos contra os “distribuídores ilegais de música” (nós).
Agora, a moda de processar o usuário final chegou na América Latina. Em tom de vitória, um relatório da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) anuncia que um jovem argentino precisou vender seu carro para pagar a multa imposta pela justiça. O mesmo relatório indica que o Brasil e o México são “países prioritários” em sua campanha de combate à pirataria e elege o streaming de músicas como o novo vilão, culpando a expansão do acesso banda larga por esse problema.
A Indústria Fonográfica continua queimando recursos para combater a pirataria com processos e desenvolvimento de recursos tecnológicos (que pouco sobrevivem as investidas dos hackers). Será que não está na hora delas cederem a evolução da tecnologia e reinventarem seu modelo de negócio?
O mundo mudou. A economia mudou. A maneira que as pessoas interagem entre si, se divertem e se relacionam com os meios, com os conteúdos e com as marcas mudou. Quem falta mudar mesmo? Lutar contra a distribuição irrestrita de conteúdo é uma luta em vão. Ou alguém acha que é possível cessar com o download gratuito de música?
Published by Luiz Felipe Barros on May 14th, 2007 | Filed under LongtailGreenpeace vs. Apple
Alguns meses atrás o Greenpeace lançou uma campanha com o objetivo de “conscientizar” a Apple de que não adiantava apenas ter os melhores produtos e o mais belo design do mercado. Ela precisava também ser responsável socioambientalmente.
A campanha “Green My Apple” recrutava usuários e amantes da Apple para pressionar a empresa a mudar, revendo desde os materiais para fabricar os produtos até uma política para os equipamentos antigos descartados. A pressão foi realmente grande: hotsite, blog, paródias com o comercial Mac vs. PC e com o keynote do Steve Jobs para o lançamento do iPhone, imagens e vídeos criados por usuários, diversos banners para todos que aderirem a campanha possam divulgá-la e mais. A campanha inclusive foi premiada recentemente na edição de 2007 do Webby Awards, com o GP da categoria Ativismo.
Bem ruim para a empresa do Steve Jobs, não? Não.
Hoje, sem muito alarde, surgiu um banner na página inicial da Apple com a frase “A Greener Apple”. Um public statment assinado pelo Steve Jovs fala sobre o movimento criado contra a Apple e quais as providências que a empresa irá tomar para se tornar mais responsável e menos agressiva ao ambiente.
Em poucas horas, todos que aderiram o movimento (eu inclusive) receberam um e-mail do Greenpeace, comemorando a atitude da Apple e o sucesso de seu movimento. O hotsite e o blog da campanha foram atualizados para comemorar a vitória do movimento e elogiar a posição de Steve Jobs de tornar a empresa mais transparente.
O sucesso do movimento evidencia mais uma vez o poder do consumidor nessa era de conteúdo aberto e acessível, onde todos têm voz. Além disso, mostra também a atenção e o cuidado que nós da área de comunicação devemos ter com as marcas que trabalhamos. Com a internet, os boatos e os fatos que as marcas preferiam manter embaixo do tapete ganharam um megafone. O branding, abrangendo todos os pontos de contato com a marca, se torna cada vez mais importante.
Published by Luiz Felipe Barros on May 2nd, 2007 | Filed under Branding, LongtailGoogle é a marca mais valiosa do mundo
Uma pesquisa divulgada pela BrandZ, realizada em parceria com o instituto de pesquisa Milward Brown, afirma que a marca Google é a mais valiosa do mundo.
O resultado não é nenhuma grande surpresa, mesmo considerando que o Google superou marcas como Coca-Cola Company, Microsoft e GE. O que acho mais interessante nisso tudo é pensarmos a diferença entre o modelo de negócio do Google e das outras empresas.

O consumidor final do Google (ou seja, potencialmente todos com acesso a internet) não paga por nenhum de seus serviços. Temos 3 Gb de espaço de armazenamento nas nossas caixas de e-mail, comunicador instantâneo, rede de relacionamento, editor de texto e de planilha e diversos outros serviços sem pagarmos nada por isso.
O modelo de negócio do Google coloca as necessidades do consumidor no centro e repassa o custo de todos esses serviços são para os anunciantes, que encontram no Google uma ferramenta capaz de segmentar seu público e atingí-lo em momentos realmente relevantes, de uma forma menos invasiva que a publicidade tradicional.
Relatório completo da pesquisa: brandz_2007_ranking_report.pdf.
Published by Luiz Felipe Barros on April 24th, 2007 | Filed under Branding, Longtail



