Maior engarrafamento da história
Ontem, dia 10/Junho, a cidade de São Paulo conseguiu bater o recorde histórico de engarrafamento. A marca que não é nenhum orgulho para a cidade ou sua população foi atingida graças a combinação véspera de feriado + chuva + excesso de carros na rua.
A primeira variável me parece impossível de controlar e a segunda, apesar de ser agravada por problemas de infraestrutura da cidade, também é difícil de anularmos completamente suas consequências. Porém, a terceira varíavel é o maior problema da cidade é ela que me motivou a criar esse post.
O rodízio de carros (que já foi implementado na cidade de SP algumas vezes) e pedágio para circular no centro de grandes cidades (assunto recorrente em Londres) são soluções de engenharia de tráfego, que o governo local pode implementar, mas marcas a iniciativa individual de cada pessoa também podem influenciar positivamente o trânsito. Claro que ambas são medidas paleativas e não tão eficientes quanto o investimento em transporte público (como metrô, ônibus e compania), porém, meu objetivo é falar sobre soluções “alternativas” a esse problema.
A seguradora Sul América criou uma emissora de rádio na cidade de São Paulo que fala 24h sobre o trânsito, dando dicas de rotas alternativas e noticiando quais são os pontos mais problemáticos da cidade. Essa prestação de serviço, tecnicamente chamada no mercado de Branded Utility, é uma tendência muito interessante de como marcas podem fazer parte da vida das pessoas oferecendo um serviço relevante (até mesmo para quem não é seu cliente). Pode não vender seguros de forma direta, mas agrega atributos para o posicionamento da marca e gera simpatia e lembrança junto ao consumidor, se tornando uma poderosa agente de influência na decisão de compra. A iniciativa da Rádio Sul América partiu da agência de publicidade MPM e recebeu o Leão de Bronze na categoria de Mídia no festival de publicade de Cannes em 2007.
Outra iniciativa interessante que encontrei é a “organização industrial” da carona. Projetos como o já famoso internacionalmente RideAmigos põe pessoas que farão rotas semelhantes em contato para que elas possam dividir um táxi e, dessa forma, economizar dinheiro, reduzir o número de carros na rua e emitir menos poluentes. Existem várias outras iniciativas semelhantes pelo mundo, como o Carona Brasil, que além do compartilhamento de táxi estimula a carona propriamente dita. Existem várias questões, como segurança por exemplo, nesse tipo de serviço, mas alguns deles já desenvolveram mecânicas para minimizá-las. Não conheço nenhuma marca que tenha desenvolvido ou patrocine um serviço desses, mas está aí um grande e interessante filão de negócio e posicionamento.
A cidade de Paris implementou em 2007 um serviço de aluguel de bicicletas chamado Vélib‘ (uma contração das palavras bicicleta e liberdade). São mais de 20 mil bicicletas espalhadas por mais de 1.500 pontos da cidade que podem ser alugadas avulso ou em pacotes com tarifas promocionais. O mais interessante é que para quem quiser usar apenas 30 minutos, o serviço é de graça! Marcas entram na jogada através de patrocínios e publicidade, que são revertidos em descontos para o público e manutenção da infraestrutura necessária.
Para fechar, deixo uma imagem que me impressionou bastante quando vi pela primeira vez. Ela mostra qual o espaço ocupado em uma rua por diferentes meios de transporte e, consequentemente, nos faz pensar no impacto que a mudança de hábitos de cada um de nós e o investimento em transporte público podem trazer para nossa qualidade de vida e para o meio ambiente.
PS: Para quem quiser saber mais sobre “o maior engarrafamento da história” que citei no início do post, indico o texto do Cris Dias feito no blog do Livina (carro lançado recentemente no Brasil pela marca Nissan).
UPDATE: Para descontrair, dois tweets excelentes que meu amigo @carbonell fez durante o mega engarrafamento:
“Acho que acabei de ver uma fila de carros paulistas ali na entrada do Túnel Rebouças”.

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