A web 2.0 é uma ameaça a cultura?
Sep 10, 2007
Pouco tempo atrás o Flávio Medeiros - amigo, redator da NBS e presidente do CCRJ - me mandou por e-mail uma entrevista feita recentemente pela revista Época com o Andrew Keen, um dos pioneiros da internet no ínicio da década de 1990.
Por mais contraditório que possa parecer, o Andrew Keen é um dos maiores críticos do conteúdo gerado pelo consumidor. Na entrevista e em seu mais recente livro “The Cult of the Amateur” ele discursa sobre como esse conteúdo é uma ameaça a cultura e afirma que as pessoas que geram conteúdo na internet são “profissionais frustados e amadores” que não criam nada de valor significativo para a nossa sociedade.
Eu discordo profundamente dele. Não acho que o conteúdo gerado por pessoas comuns seja uma ameaça para a cultura. É claro que existe muita porcaria nesse conteúdo, e seria inocência da minha parte afirmar o contrário, mas acredito também que o acesso as ferramentas de produção e distribuição permitem a sociedade conhecer trabalhos bárbaros de pessoas que não conseguiram (ainda) espaço na mídia convencional. Um exemplo é o remake de uma cena do filme Pulp Fiction feito em tipografia. O autor é um estudante de Belas Artes, que se forma apenas em 2008:
O trabalho desse estudante é, na minha opinião, uma obra de arte e apenas um dos muitos exemplos que recordo que me fazem achar o ponto de vista do Andrew Keen extremista . Na minha opinião, o conteúdo gerado por pessoas comuns não ameaçam a cultura - ameaçam apenas o modelo de negócio da indústria cultural - no momento que eles passam a desafiar seus ícones muitas vezes forçados através da constante aparição na mídia. Na área da música, por exemplo, surgiram bandas como o Arctic Monkeys e o Panic! At the Disco.
O conteúdo gerado por pessoas comuns também pode ser fonte de inspiração para outros artistas e produtores. Não sei se é esse o caso do videoclipe da banda uruguaia El Cuarteto de Nos, mas como ele surgiu depois, é bem possível.
E que esteja aberto o saudável debate sobre esse assunto aqui também!

3 Comments , Comment or Ping
Mariana
Eu também acho a visão de Andrew Keen extremista, mas se tem um problema (ou ao menos uma questão) dessa “Generation C” é exatamente saber o que é original e o que é cópia.
Se o clipe foi inspirado ou não no remake, não sei.
Mas acho que essa campanha do Berlitz veio antes dos dois.
http://www.youtube.com/watch?v=dXgOoV6C4OU&mode=related&search=
http://www.youtube.com/watch?v=r6Ep968qn0M
Sep 10th, 2007
Luiz Carioca
Esse Andrew deveria estudar mais sobre cultura. Não sei se ele é tão radical como me pareceu no seu post, mas cultura nunca foi gerada por profissionais. Concordo com vc o fato da Industria Cultural, essa sim é criada pro profissionais, mas a sua função é modelar e padronizar a cultura, por exemplo se o mundo inteiro gosta de coca-cola, os custos são mais baixos para se desenvolver, fabricar e anunciar o produto. Essa é a função da industria cultural, mas cultura nunca, jamais, deve ser produzida por profissionais. Se existem coisas inúteis na web, são reflexos de uma cultura sucateada q recebemos.
Sep 11th, 2007
Luiz Felipe Barros
A Indústria Cultural tem a necessidade de criar hits, pois o custo para fabricá-los, distribuí-los e promovê-los é muito alto. Se não for consumido por muitos, não compensa.
Acho que o Andrew Keen acredita que a Indústria Cultural e os profissionais das áreas de comunicação e entretenimento são o filtro do que é bom e do que é lixo.
Como eu disse no meu texto, discordo profundamente dele, pois vejo muito lixo sendo produzido por esses profissionais (qualidade baixa mesmo, que em pouco tempo é descontinuado por não dar retorno) e muita coisa boa sendo produzida por amadores. Ex
Sep 11th, 2007
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