Como a Apple e a Microsoft lidam com os hackers

Saiu no Engadget um comentário do VP de Marketing da Apple, Greg Joswiak, dizendo que a companhia vai adotar uma política “neutra” em relação aos hacks feitos no iPhone.

O que isso significa? Quer a Apple não planeja tentar maliciosamente impedir que aplicações feitas por terceiros rodem no iPhone quando lançar seus pacotes de atualização do sistema. Essa declaração foi feita dias depois que hackers conseguiram desenvolver uma forma de desbloquear o aparelho via software. Agora, qualquer proprietário do iPhone pode desbloquear o aparelho e usá-lo em qualquer operadora GSM, em qualquer lugar do mundo.

Essa atitude da Apple pode gerar um grande desconforto com a AT&T. A empresa que possui exclusividade sobre o iPhone (pela qual ela paga alguns milhões a Apple) provavelmente esperava que sua exclusividade fosse garantida, porém, tranquiliza todos os consumidores que pretendem comprar um iPhone e usar em outras operadoras.

Numa atitude simetricamente oposta, a Microsoft passou a investir mais pesado contra a pirataria de seus softwares. Em 2006, lançou junto com um grande pacote de atualização uma que verificava se a cópia instalada do Windows XP era ou não original e, caso não fosse, o computador passava a alerta constantemente o usuário e o impedia de instalar novas versões de programas da Microsoft - mesmo os gratuitos. Não preciso nem contar a péssima repercussão que isso gerou para a marca, mesmo entre usuários com cópias originais.

Para mostrar que o OnBranding também é diversão, ouçam o diálogo de uma usuária pirata do Windows XP com o suporte técnico da Microsoft abaixo. (É longo, mas a diversão é garantida!).

Published by Luiz Felipe Barros on September 11th, 2007 | Filed under Branding, Gadgets, Tecnologia
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A web 2.0 é uma ameaça a cultura?

Pouco tempo atrás o Flávio Medeiros - amigo, redator da NBS e presidente do CCRJ - me mandou por e-mail uma entrevista feita recentemente pela revista Época com o Andrew Keen, um dos pioneiros da internet no ínicio da década de 1990.

Por mais contraditório que possa parecer, o Andrew Keen é um dos maiores críticos do conteúdo gerado pelo consumidor. Na entrevista e em seu mais recente livro “The Cult of the Amateur” ele discursa sobre como esse conteúdo é uma ameaça a cultura e afirma que as pessoas que geram conteúdo na internet são “profissionais frustados e amadores” que não criam nada de valor significativo para a nossa sociedade.

Eu discordo profundamente dele. Não acho que o conteúdo gerado por pessoas comuns seja uma ameaça para a cultura. É claro que existe muita porcaria nesse conteúdo, e seria inocência da minha parte afirmar o contrário, mas acredito também que o acesso as ferramentas de produção e distribuição permitem a sociedade conhecer trabalhos bárbaros de pessoas que não conseguiram (ainda) espaço na mídia convencional. Um exemplo é o remake de uma cena do filme Pulp Fiction feito em tipografia. O autor é um estudante de Belas Artes, que se forma apenas em 2008:

O trabalho desse estudante é, na minha opinião, uma obra de arte e apenas um dos muitos exemplos que recordo que me fazem achar o ponto de vista do Andrew Keen extremista . Na minha opinião, o conteúdo gerado por pessoas comuns não ameaçam a cultura - ameaçam apenas o modelo de negócio da indústria cultural - no momento que eles passam a desafiar seus ícones muitas vezes forçados através da constante aparição na mídia. Na área da música, por exemplo, surgiram bandas como o Arctic Monkeys e o Panic! At the Disco.

O conteúdo gerado por pessoas comuns também pode ser fonte de inspiração para outros artistas e produtores. Não sei se é esse o caso do videoclipe da banda uruguaia El Cuarteto de Nos, mas como ele surgiu depois, é bem possível.

E que esteja aberto o saudável debate sobre esse assunto aqui também!

Published by Luiz Felipe Barros on September 10th, 2007 | Filed under Arts, Longtail, UGC
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